terça-feira, 7 de agosto de 2012

Ida ao dentista

Inevitável. Tinha que ir. Uma das metas a que tinha se proposto para 2012 era fazer revisão nos dentes.  Tinha dificuldades em cumprir metas e essa era meio ridícula, sim, mas fazia parte da lista fatídica de "resoluções pessoais"; afinal estava com dentes amarelos e feios, com cáries devido ao uso insuficiente do fio dental.



No caminho ao consultório, pensava nessas pequenas coisas chatas na vida. Envolver-se consigo mesmo, cuidar dos dentes, usar antisséptico bucal, creme dental especial, fazer clareamento. Estética. Sempre ela, orbitando em torno de nós e nos obrigando a fazer coisas que melhorem nossa aparência.

Chegou lá e sentou naquela cadeira confortável do dentista, em frente à janela. De onde estava dava pra ver um pouco da paisagem urbana. Prédios, carros, lojas; o mundo acontecendo fora dali enquanto eu aguardava o início dos trabalhos dentários. Achou até que poderia relaxar um pouco, mas a luz na cara dissipou logo a ideia.

A disfunção na Articulação Temporomandibular (ATM) que tinha descoberto há alguns anos dificultava a vida do dentista, que tinha que acelerar o trabalho para evitar que ficasse com a boca aberta durante muito tempo. Anestesia, broca, disco de polimento, gancho, lixa, borrachinha, pistola de luz...Um pequeno arsenal do terror é utilizado numa simples restauração. Cada um com suas exatas funções e ordem de ação. Admirava o profissional que sabia usar tudo aquilo com eficiência. E pensava que nunca, nem que nascesse novamente, conseguiria usar aquelas coisinhas.

Conseguiu relaxar na cadeira por um tempo enquanto o tratamento tinha continuidade. Com a boca suspensa, a mente viajou. Pensou no texto que poderia escrever sobre as banalidades da sua vida quando chegasse em casa. Pensou naquela garota que morava em outra cidade. Pensou na família. E nas outras metas de 2012 que ainda tinha que cumprir, mas que estava sem motivação pra isso. Pensou no mês de agosto e na sensação de que o tempo passava mais rápido do que deveria.

Despertou dos pensamentos com o barulho da broca. Depois de uma hora e meia, o serviço havia terminado. Sem mastigar do lado do dente tratado por 24h. Sem chimarrão, café ou vinho tinto. Ouviu as orientações e consentiu, mas sabia que não conseguiria obedecer a todas elas completamente. Sempre esquecia de alguma coisa. Não abria mão do café.

Ficou cansado. No retorno para casa, o sol trouxe pensamentos otimistas para o final da manhã. Sentiu-se bem.

sábado, 30 de junho de 2012

Sujo, mundano, delirante

Eu gosto de narrativas ficcionais bem inspiradas na realidade- paradoxo literário porque ficção seria a não realidade. Enfim...
Não falo do romance histórico; acho alguns meio monótonos; não curto ficção que exagera na precisão de datas, nomes de lugares, fatos...
Aprecio tramas bem mundanas, humanas no sentido bom e no perverso também, com personagens "podres", maliciosos, melancólicos, irônicos, sarcásticos, cruéis consigo mesmo; verdadeiros "losers".

Muitos destes protagonistas são escritores mais velhos, de meia idade, desapaixonados já da vida, em busca de sentidos para uma vivência já desgastada; Erotizados, observam e analisam a vida sob uma perspectiva de quem já passou por tudo; ou correm atrás da vida, atrás do tempo, atrás do que realmente importa, atrás da recuperação das coisas que foram significantes, ou simplesmente enxergam a vida com tédio e enfado, glamorizam a própria infelicidade, colocando-se no topo do ranking dos seres humanos inúteis, que perderam completamente a moral.


São assim algumas obras de Rubem Fonseca, Sérgio Sant'Anna, Philip Roth, João Gilberto Noll, entre vários outros. Estes foram os que li. Escritores maravilhosos que constroem personagens tão profundamente humanos, tão fodidos na vida, tão perdidos nos acontecimentos, tão sufocados, tão filósofos de boteco...
tão fascinantes...

Acabo de ler mais um livro desse gênero de personagem: "tô fudido mesmo então só me resta contemplar, reclamar e trepar". Histórias banais relatadas por um protagonista totalmente "flâneur" fazem o leitor imaginar como seria viver em uma Havana quente, pobríssima e fétida. "O insaciável homem-aranha" (Cia das Letras, 2004), do cubano Pedro Juan Gutiérrez é ficção subversiva, com linguagem ferina,suada, obscena, livre.... Pode chocar os mais românticos. Pode perturbar.





A orelha do livro já sinaliza o perfil do contador de histórias:  Flâneur sem vintém, erotômano assumido, seu narrador astuto e vertiginoso arrisca-se com estes relatos num percurso interior em que a literatura é seu guia e também sua perdição. O resultado é um livro desconcertante sobre uma situação extrema em que todos estão despidos de quase tudo e em que o sexo e o desregramento são o veículo do cinismo, da degradação, do heroísmo e da vontade de sobreviver.

Em meio a um ambiente hostil - uma cidade sufocada pelo calor, um apartamento de oito andares sem elevador, um casamento já fracassado, uma vida limitada pela falta de dinheiro - o protagonista tenta sobreviver, buscando o sexo e o entopercimento - muito rum - para passar os dias.

A Havana de Gutiérrez é a Havana de Gutiérrez, pois se trata de uma ficcção. Não cabe a mim como leitora questionar os relatos, duvidar da construção da narrativa. O que importa é que o contexto político-social presente nesta cidade, no ambiente, nos vizinhos, nas pessoas com quem este narrador se relaciona ou convive o atingem diretamente e acompanham seu estado permanente de angústia, de divagação, de mau humor, de degradação...

"É evidente que abandonei a infância há tempo demais. Estou transformado em O ADULTO HOMEM-ARANHA. Sem imaginação, sem senso de humor. Se me fizerem um teste psicológico seguramente vão encontrar grandes doses de veneno nas glândulas dos meus caninos. Desejos insatisfeitos de assassinar e bater, e uma sexualidade excessiva. Com cinquenta anos devia ser mais realista e equânime. O sexo me tortura".

É claro que o narrador-escritor atormentado, cansado da vida, despuradorado ou mesmo tarado, não é uma novidade na literatura. Essa narrativa metalinguística, de desabafo, que nos faz confundir narrador com escritor, é construída das formas mais diversas pelos mais diferentes autores.

O sujeito desregrado de "O insaciável homem-aranha" - escrito em primeira pessoa do singular - pega o leitor pela mão e o convence a mergulhar junto em suas delírios e fantasias, provoca requintada imaginação ao descrever os ambientes, as pessoas, as situações; faz o leitor identificar-se com os sentimentos e pensamentos que tratam de estados físicos, afetivos e emocionais, de relações humanos, de modelos sociais...faz o leitor pensar como o ser humano é complexo, bizarro, estranho...

Respeito o puro entretenimento, mas Literatura pra mim tem que perturbar, mexer com o íntimo...e Gutiérrez conseguiu fazer isso comigo.





terça-feira, 26 de junho de 2012

Fora do FdE, mas ligada nas redes

Impressionante como podem ocorrer tantas reviravoltas em poucos meses...
Sabe esta postagem abaixo aí, de dezembro de 2011, falando do Congresso Fora do Eixo? Fui ao congresso, gostei de quase tudo. Mas hoje não faço mais parte do Circuito.
Coisas da vida...
Terminei o Mestrado e me joguei nisso, queria muito participar ativamente do Macondo Coletivo, que integrava o FdE, trabalhar com comunicação, produção cultural, música, cinema...

Fui ao Congresso em dezembro, comecei a participar do grupo de Mídia da rede, contribuir para a redação da News da Regional Sul, para a produção de eventos integrantes da rede, para a divulgação de iniciativas culturais relevantes. Participei de Festivais de Música representando o Circuito, fiz parte de equipes de cobertura colaborativa.

Mesmo admirando, respeitando e tendo orgulho de integrar uma rede tão importante para a cultura do País, eu tinha algumas críticas a certos procedimentos, coisas que eu não curtia, ideologias com as quais eu não me identificava. NORMAL!
E maio, fui ao congresso da Regional, que ocorreu de 28 de abril a 1º de maio, e aí...PÉIN! Desmotivei...estímulo zero. Senti que faltava diálogo...da minha parte, da parte de todos...Não me senti parte daquilo tudo...tentei, mas não deu. E não culpo ninguém.

Eu credito o meu afastamento do Fora do Eixo a mim e à rede. São os dois responsáveis. Não compactuo com tudo que o Fora do Eixo compactua, não concordo com tudo que é feito pela rede e na rede. Assim como eu tenho minhas incoerências e contradições, o FdE também tem as suas. Assim como eu tenho inúmeros defeitos, o FdE também tem os seus. Mas eu admito o meu caráter contraditório, até publicamente,  Já o FdE...

Eu não posso fazer parte de uma rede onde eu não me sinto à vontade de contestar ou fazer uma crítica, mesmo construtiva, sem ser rotulada de "desagregadora", "não posicionada" ou "não propositiva". Por mais que a rede se afirme como livre, aberta, dialógica e acolhedora, essa abertura não foi sentida por mim no dia-a-dia de convívio da rede. 

Fui "fortemente" cobrada e questionada por "curtir" no Facebook manifestações de pessoas críticas à Rede, por não optar em sempre agir "blocada", por apoiar outros projetos e princípios que não pertencem, ou mesmo se opõem, ao campo de ideias defendido pelo Fora do Eixo. Também não quero pertencer a uma rede apenas para construir um "lastro", que serve somente para legitimação pessoal de cada indivíduo dentro do Circuito sem consonância com o trabalho real ou com a prática realizados por este em seu território.

Eu não quero privar-me de minha identidade, individualidade, autonomia e criticidade. E vi gente perder isso para estar na rede. Eu vi gente ficar totalmente formatada num pensamento.

Minha experiência no Fora do Eixo foi incrível. Fiz muitas coisas legais, conheci pessoas fantásticas e vivenciei fatos interessantíssimas. Aprendi muita coisa. Agradeço à rede por isso. Mas eu não me via ali...Foi um namoro, não tão apaixonado, talvez, que terminou;

Hoje visualizo outras redes e possibilidades de ações mais abertas à crítica, à diversidade de pensamento. Prefiro despender minha energia no território, sem imposições de conduta, sem preocupações excessivas com números e propagandas.

E não fui só eu que tive as mesmas impressões e opiniões sobre o Circuito. Não estou sozinha. Outras pessoas, também insatisfeitas, se afastaram em muitas outras ainda deverão se afastar, pelos motivos mais diversos.

Não espero que me compreendam. Não mesmo.

Hoje, pertenço ao Catatau Coletivo (ex-Macondo Coletivo) que não faz mais parte da rede conforme carta divulgada no final de semana:



CARTA PÚBLICA DE DESADESÃO AO CIRCUITO FORA DO EIXO

O Catatau Coletivo de Santa Maria/RS, antigo Macondo Coletivo, informa sua desadesão ao Circuito Fora do Eixo. Optamos por nos afastar da Rede após a Imersão da Regional Sul, que ocorreu do dia 28 de abril a 1º de maio.

O Macondo Coletivo integrou o Circuito Fora do Eixo por dois anos, contribuindo para o fortalecimento da Rede com a realização de atividades como Noite Fora do Eixo, Grito Rock e SEDA (Semana do Audiovisual). Foi um dos primeiros a desenvolver a Cobertura Colaborativa em festivais independentes do país, prestando assessoria para eventos locais, como FETISM (Festival de Teatro Independente de Santa Maria), Festival de Artes Integradas Macondo Circus, bem como colaborando em outros festivais do Circuito.

No entanto, em abril de 2012, ao se deparar com novas perspectivas de ações e com a realidade na qual se encontrava, o Macondo Coletivo passou a assinar como Catatau Coletivo, com o intuito de fortalecer sua autonomia e de não se prender a modelos de estrutura organizacional. Assim, pretendemos continuar envolvidos com iniciativas colaborativas de produção cultural, de cobertura e assessoria de eventos e festivais independentes, de exibições cineclubistas e sempre abertos a parcerias diversas.
Um novo sentido: http://bit.ly/Mrt9OD


Sigo conectada, sigo ligada nas redes!




Parlare

Sempre preferi o silêncio..

Falar, pra mim, é um esforço. E por que eu fiz jornalismo então? Não sei. Porque gosto mais de ouvir, observar, contemplar, escrever...
E cada vez que eu falo mais que o normal eu me arrependo depois...

Não sei de onde vem isso nem o porquê. Não lembro de ter crescido, pelo menos até os cinco anos, em um ambiente com muitas falas. E isso não é um lamento. Só fui à escola aos sete anos e lá eu senti um choque mesmo. Muita criança falante! Professores que falavam sem parar. Bem cansativo!
Não gostava de falar em sala de aula; não gostava de apresentar trabalho para a turma e foi assim até a faculdade, até a especialização, até o mestrado. E é assim até hoje, até esse minuto...
Falar era expor-se, concentrar atenção em mim; e eu nunca me senti confortável com isso. Problemas psicológicos talvez...

Falar cansa, exige. Exige de mim que tenho que formular a fala de forma que a pessoa entenda, o que nem sempre é fácil porque eu me enrolo bastante, às vezes, pra me expressar ou transmitir uma ideia ou opinião. Exige da pessoa que está me ouvindo, que se distrai logo, desvia a atenção de mim; e não a culpo porque o meu jeito de falar, nada incisivo ou convincente, não atrai mesmo; ao contrário, dispersa. Sou facilmente cortada em minhas falas; deve ser porque falo devagar, de forma entendiante, ou porque me atrapalho e dou a deixa para a interrupção. E aí acontece um fenômeno psico-neuro-linguístico quando alguém me corta e interrompe o meu pensamento: eu desisto de retomar; eu desisto de falar; eu não vou repetir tudo de novo. Não! Eu já tenho falas super curtas no meu dia-a-dia e ainda tenho que retomá-las porque as pessoas me cortam.

Festas- Fico pensando como as pessoas conseguem conversar tanto em baladas com música ao vivo e mil pessoas também conversando em volta. Eu me desespero! Só agonia!
Sério! eu passo por antipática, anti-social, tímida e extremamente chata nesses ambientes porque eu simplesmente NÃO CONSIGO ter uma conversa normal com muito ruído em volta. Eu tenho que fazer um esforço sobrehumano para ouvir e outro pra responder. Então, depois de cinco frases trocadas, eu já estou esgotada e só respondo "aham", "pois é", "sim", "com certeza", "tem isso né"...Eu fico agoniada, invento uma desculpa e saio de perto. Horrível! mas vou fazer o que...Balada é pra observar, dançar e rir. Em bares, sentada e tal eu já preciso me concentrar muito na pessoa porque são vários processos: escutar atentamente o que ela fala, processar para entender o significado, formular mentalmente a resposta e...aff...a pior parte, FALAR!

É complicado porque ocorrem certas situações em que falar, falar muito, seria necessário para a defesa da honra. Mas cadê a motivação? Dia desses passei por um episódio assim. A pessoa colocou o dedo na minha cara, falou horrores - com muita vantagem porque ela tem uma oratória espetacular - e eu praticamente ouvi tudo sem falar. Eu queria sair dali, mas meu ímpeto de ouvir tudo até o final, com a esperança de falar depois, me enraizou no chão. Pouco falei. Na verdade, não disse quase nada. E o mais cômico disso tudo é que o que estava em foco na "conversa" não era o que eu tinha falado alguma vez; era o que eu tinha curtido no Facebook. Porra! Eu não falo, mas o que eu "curto" me trouxe problemas.

Eu sofro por perder chances de falar. Mas depois eu penso, "dane-se".

Há situações em que eu falo demais e falo alto. Mas pode anotar que se isso acontecer é porque não estou no meu estado normal.
#prontoNÃOfalei

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Por que eu vou ao #Congresso FdE - Reflexões

Encontros
No domingo, dia 11, eu e mais uma galera, sairemos de Porto Alegre, às 11h, rumo a São Paulo, capital. Lá vai acontecer o IV Congresso Fora do Eixo e eu vou como representante do Macondo Coletivo, que faz parte do Circuito Fora do Eixo.
Mas eu não vou ao Congresso só porque colaboro ou integro o Macondo Coletivo. Eu vou como cidadã e jornalista, interessada nas discussões que vão ocorrer no evento, interessada nos debates sobre cultura, comunicação, jornalismo, uso de novas mídias, de novas tecnologias.

O IV Congresso é o maior encontro de coletivos do País que vai discutir uma diversidade de temas relacionados à cultura, política e comunicação. Entre os convidados para os debates, estão Cláudio Prado (coordenador da ONG Laboratório da Cultura Digital), Carlos Miranda (produtor musical), Ivana Bentes (professora da UFRJ), Renato Rovai (Revista Fórum). Na programação, estão previstas mini-conferências sobre música, política, comunicação, negócios, produção, gestão e cultura digital, Seminário da Música Brasileira, reuniões sobre Comunicação e Midialivrismo, Encontro da rede das redes, Universidade da Cultura Livre, Banco da cultura e alternativas criativas, Encontro de Jornalismo Cultural do Brasil.
Paralelo ao evento, acontece o Festival Fora do Eixo com apresentação de mais de 40 artistas e shows gratuitos.

Por que eu vou
Eu penso que o Fora do Eixo é uma rede cheia de potencialidades, rica, diversa, plural. Acolhe pessoas e grupos que trabalham com diferentes formas de arte e de linguagem. O uso das ferramentas de comunicação é um dos pontos que considero mais interessantes e produtivos do FdE. As newsletters, a Pós Tv, o uso das redes sociais, os blogs, a colaboração etc. Outra coisa que curto muito é a conexão com os artistas independentes e a produção de festivais.
A linguagem da música, do teatro, do cinema, da literatura. E a comunicação perpassando todas estas formas de expressão. Isso é massa! Isso me motiva! Isso me faz participar da rede, de trampar e fazer o que é possível para eu fazer. Gosto de escrever, de me envolver com divulgação, assessoria de imprensa, cobertura. Onde houver espaço e motivação pra fazer isso, eu faço.

Eu não sou fantoche; não trabalho de graça para alguém se promover no Fora do Eixo. Eu não sou boba nem manipulável. Se estou no Macondo Coletivo, se contribuo para a rede é porque no momento que me dedico a ela, aprendo também; tenho um retorno, que é intangível, imaterial, não quantificável, mas só eu sei a importância e o ganho que tenho.
É claro que eu não acho que o FdE é uma maravilha, uma rede perfeita, totalmente coerente, coesa, organizada. Tenho minhas restrições a ela; tenho críticas e as publicizo quando acho que isso deve ser feito; A rede tem algumas dinâmicas e práticas com as quais eu não concordo, não compactuo, não compartilho. E isso é tranquilo.E quero acreditar que a rede seja aberta a críticas e receptiva ao diálogo como ela se propõe a ser. Se eu achar que o Circuito não está indo para um lado legal ou se eu não me sentir mais à vontade colaborando com ele, eu me retiro numa boa. No momento, eu me sinto bem participando dela, eu visualizo oportunidades interessantes de produção cultural, possibilidades ricas de movimentações político-culturais. É isso.

Macondo Coletivo
O Macondo Coletivo está passando por dificuldades de estruturação. Nele, eu atuava no cineclube, na comunicação e também na produção de alguns eventos. Festival de Teatro Independente de Santa Maria, Grito Rock, Macondo Circus, Noites Foras do Eixo; eventos fundamentais para Santa Maria, que tenho orgulho de dizer que contribui para que eles acontecessem. Parcerias legais foram feitas, trocas, trabalho, união, amizades. Mas desentendimentos, desadesões e conflitos também ocorreram este ano no Coletivo. Foi difícil e está sendo difícil este período de redefinição, este momento de desestímulo e desmotivação, talvez.  Eu não sei se vou continuar no Macondo Coletivo, não sei o que vai acontecer; se o Coletivo vai mudar de nome, vai ser esvaziado, reconstruído, reformulado...não sei mesmo. É por isso também que vou ao Congresso. Pra ter mais clareza em relação ao Coletivo, às pessoas que faziam ou fazem parte dele; pra ter mais clareza e compreensão do próprio Fora do Eixo, ainda cheio de coisas a serem descobertas e entendidas, pelo menos por mim.

Casa FdE - Cheguei na Casa Fora do Eixo Porto Alegre na quinta-feira ao meio dia. Está sendo bem legal a vivência aqui; acompanhar a rotina da Casa, as preparações para o Congresso, as dificuldades enfrentadas, a produção dos vídeos, as visitas e a empolgação da galera. Estou tentando ajudar no que for possível, seja contribuindo na divulgação do material,ajudando nos mapeamentos, tuitando, compartilhando...

seja ajudando na dinâmica da casa, como fazer o almoço, por exemplo.Galera aqui da Cafe FdE Poa é muito legal. Obrigada Tatiana, Natália, Atílio e Jocemar. Cláudia já estava em São Paulo quando cheguei.



Amanhã, domingo, uma caravana composto de quase 40 pessoas de várias cidades do Estado estará saindo de Porto Alegre rumo a São Paulo. Chegaremos lá na segunda-feira, dia 12, pela manhã. Tenho certeza que vai valer a pena participar desse Congresso.
Até mais!

PS: (Aqui está o press kit e a News do #Congresso FdE)


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O que eu fiz em 2011? Aprendi muito...

No início do ano eu defendi a minha dissertação de mestrado. E depois, o que fiz? Alguns poderão dizer que eu não fiz nada, que eu perdi tempo, que as ações as quais me envolvi, não me trouxeram nada. Mas só eu sei o quanto as atividades que fiz neste ano me fizeram crescer e aprender. Eu vivenciei coisas boas e aprendi.
Eu não fiquei totalmente parada, não. Eu resolvi colaborar com o Macondo Coletivo, uma associação de produtores culturais independentes, que integra o Circuito Fora do Eixo. Antes de entrar para o grupo, eu já tinha vários amigos ali e prestigiava os eventos por eles organizados. Além do trabalho, as relações afetivas com as pessoas do Coletivo me atraíram.Também comecei a fazer a agenda do Boteco do Rosário e trabalhar na divulgação das ações do bar. Um trabalho com música, comunicação e cultura. Que eu curto fazer.

No Macondo Coletivo, participei da produção e divulgação de alguns eventos.
Por que fiz isso? Por que colaboro com uma rede sem receber salário? Por que me envolvo? É complexo responder a esta questão, mas, resumidamente, posso dizer que gosto de trabalhar com comunicação, música, arte e cultura. Já gostava e passei a gostar mais...
Então, eu me propus este ano a fazer coisas que nunca tinha feito, como trabalhar num bar, como organizar uma agenda musical, como produzir um evento...e trabalhei direto com comunicação, com redes sociais, com assessoria de imprensa, com texto, com jornalismo!
Sim, eu exerci o jornalismo. Não numa redação de jornal, não numa empresa, não em uma instituição convencional...Eu exerci o jornalismo na rede, eu conheci novas formas de comunicação, novos usos de mídias, novas sistematizações de informações, novas maneiras de fazer assessoria de imprensa e divulgação de eventos..Eu entrei numa rede que achei repleta de potencial na área da comunicação...

Então...próximo post: Por que eu vou no Congresso Fora do Eixo em São Paulo...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Vai uma versão aí?

Coisa que me deixa de mau humor é escutar versão tosca de músicas bacanas. Odeio!
Tem versão tupiniquim que realmente não funciona.
Ontem eu estava circulando num shopping da cidade e tive a infelicidade de ouvir a Ana Carolina cantando, em português, a linda "The Blower's Daughter", do Damien Rice. Pelo Amor de Deus! "Eu não sei parar de te olhar, não vou parar de te olhar..." não soa bonito como na música original. Não adianta forçar.
Achei bem ruim, principalmente o refrão.  E a frase inicial da música "So it is" virou "é isso aí".."É isso aí, mano véio". Aff!  Estou implicando com a Ana Carolina e, no caso, com o Seu Jorge, que a acompanha nessa superversão? Talvez sim.
"The Blower's Daughter" virou "É isso Aí". Coisa mais deselegante!




A música original é supermelosa, sim, mas acho bonita e cantada com muito mais sentimento. Intraduzível, na minha opinião:


Pior que a Zélia Duncan e a Simone também gravaram uma versão de "Blower's Daughter". Uhuuu!! O nome ficou "Então me diz.." e o refrão mudou para "Eu só sei olhar pra vc" e colocaram também um "Só sei pensar com vc" (WTF). Não gostei dessa versão também, especialmente o final, que ficou meio sertanejo.


E a chatíssima Cláudia Leite conseguiu estragar a música "Billionaire" do Travie MacCoy com participação do Bruno Mars.



Ai, Claudia, senta lá...e não sai nunca mais, POR FAVOR! Billionaire virou "Famosa". Na letra original, os cantores falam em ficar bilionário para dar entrevista a Oprah,a célebre entrevistadora da TV americana. Na versão da Cláudia Leite, a Oprah virou Jô Soares, haha. Só que a Claudinha querida misturou a música original, cantando algumas partes em português. Billionaire já tinha uma letra meio idiota, mas ficou mais idiota ainda na adaptação da Leite.

"Eu quero ser muito famosa
E usar apenas Louboutin
Ter no Twitter um milhão de fãs
Eu quero um carrão blindado
E você do lado
Quero selinho da Hebe Camargo"


Encontrei um post do blog Faixa Livre, que comenta sobre versões brasileiras de músicas internacionais.
Vou colar aqui uma parte da lista de versões que existe na postagem:


Rita Lee
Menino Bonito - Beautiful Boy (Beatles)
Minha Vida - In My Life (Beatles)
O Bode e a Cabra - I Wanna Hold Your Hands (Beatles)
Pra Você Eu Digo Sim - If I Fell (Beatles)
Tudo Por Amor - Can't Buy Me Love (Beatles)
Aqui, Ali, Em Qualquer Lugar - Here, There and Everywhere (Beatles)

Não gosto.
Em "Aqui, Ali, Em Qualquer Lugar", tem uma hora que a Rita canta "I love you pra chuchu. Se vc não está perto eu fico jururu". ECA!! Tudo bem aportuguesar a letra, mas não precisa avacalhar tanto assim..
OK, "Minha Vida" até que ficou bonitinha.



Nenhum de Nós
Astronauta de Mármore - Starman (David Bowie)

Eita! Conheci primeiro a versão do Nenhum de Nós. Ela é mais chorosa, melancólica; ficou bonita a melodia. Mas Bowie é Bowie né. Simplesmente, bom demais!


Engenheiros do Hawaii
Era Um Garoto, Que Como Eu... - C’era Un Ragazzo Che Come Me... (Gianni Morandi)
Também conheci primeiro a versão gaúcha, mas a original é bacana.

O Rappa
Hey Joe - Hey Joe (Jimmy Hendrix)
Ahá. Gosto dessa versão brasileira do Rappa com o Marcelo D2.



Zé Ramalho
Bate Bate Bate Na Porta do Céu - Knocking On Heaven's Door (Bob Dylan)
Terrível. Sem mais comentários.

Titãs
Querem Meu Sangue - The Harder They Come (Jimmy Cliff)
Gente, eu nem sabia que essa música era do Jimmy Cliff. Não curti a versão roqueiro feliz dos Titãs. Prefiro então a gravada pelo Cidade Negra, que é bem mais bacana.

Ira!
Você Ainda Pode Sonhar - Lucy In The Sky With Diamonds (Beatles)
Nada a ver este refrão: "Você ainda pode sonhar" no lugar de "Lucy In The Sky With Diamonds".



Zezé Di Camargo e Luciano
Sufocado - Drowning (Backstreet Boys)
Eu te amo - And I love her (Beattles)
Gente! Pra quem gosta dos Beatles, dói demais ouvir "Eu te amo". Que pecado isso...




Kiko Zambianchi
Hey Jude - Hey Jude (Beatles)
Até que é bacana essa versão do Kiko. "Muita coisa vai fazer vc mudar, não tem mais razão de ser esta tristeza. Se alguém te faz sofrer, pra que lembrar, mais vale tentar viver de esperança, nanananananana..."

KLB
Um Anjo - Angels (Robin Williams)
obsessão - Obssession (Frankie J.)
Não Devo Mais Ficar - Have You Seen The Rain (Creedence)


Vergonha Alheia! Ignoraram completamente a letra e criaram uma versão romântica horrorosa.
"Comin' down on a sunny day"  virou "vou viver sem ninguém". :(

Gilberto Gil
Não Chores Mais - No Woman, No Cry (Bob Marley)
Ha, é bacana esta versão do Gil.

Latino
Festa no Apê - Dragostea Din Tei (O-Zone)
O que dizer...Funcionou até. Ficou mais famosa no Brasil que a versão original. Acho que muita gente nem sabe que o Latino inspirou-se livremente na música dos romenos da O-Zone, que é bem legal. Óbvio que a letra da original não fala nada de festa em apê ou coisa parecida.




Kelly Key
Barbie Girl - Barbie Girl (Aqua)
Indecisão - Sometimes (Britney Spears)
Essa música já é xaropinha. Não melhorou na voz da Kelly Key.



Bah! Já estava esquecendo de um clássico do mundo das versões. Eis, Love Bites, do Def Leppard.


Eis, a versão brasileira, Mordidas de Amor, de Yahoo.



Não condeno as releituras de músicas. As versões podem representar o quanto o músico admira ou se inspira em uma banda ao ponto de elaborar versões em português das canções. Parece ser o caso da Rita Lee cantando Beatles. Acho palha quando isso é feito pra alavancar a carreira, com fins somente comerciais ou mercadológicos, o típico "pegar carona" no sucesso de outras composições.

Vejam a francesa Vanessa Paradis, 15 aninhos, em 1988, cantando "Joe le taxi" com moletom rosa e grande.Comparem com a Angélica, dando pinta de super sensual em "Vou de táxi".




As versões assassinam as músicas originais? Em alguns casos, sim. É claro que uma música não deve ser encarada como produto cultural sagrado, intocável. Prova disso são os remix, mixagens, samplers e paródias. As músicas estão aí para serem ouvidas, tocadas, interpretadas, transformadas, enfim, apropriadas para os mais diversos fins. Os políticos se utilizam de canções bem conhecidas para fazerem seus jingles de campanha, por exemplo. E muitos funcionam bem na nova função.
O Guri de Uruguaiana se diverte colocando a letra de Canto Alegretense em tudo quando é hit internacional. E é engraçado!

Se a música é boa, por que não fazer uma versão em outra língua? Muitas pessoas acabam conhecendo somente a versão brasileira (como deve ter sido no caso da Angélica, por exemplo) e, a partir daí, encontram a original. E isso é bom. Talvez este acesso à canção original não ocorreria se não existisse a cópia, a releitura.

Mas que algumas versões machucam o ouvido, não há como negar...