quarta-feira, 18 de março de 2009

Macondo Criança Crescendo


Acho que foi em março de 2005. Lembro-me da primeira matéria que fiz para o Jornal A Razão sobre um novo bar que abriria na Floriano Peixoto. Chegando no local, conversei com os pedreiros que faziam os últimos retoques. Gentilmente, pararam os trabalhos para conversar comigo sobre a proposta do bar. O título da matéria, que saiu na capa do Caderno Teen, foi "Mais que um bar". A idéia era fazer do Macondo não somente um barzinho, mas um local de encontro, de atividades culturais, enfim, de ações que parecessem interessantes. Como assim? Muitos frequentadores podem dizer que o Macondo é um mero bar. Se for somente isso, ainda assim é digno de méritos porque é um bar bem legal, que traz bandas interessantes e promove festas interessantes.
Eu me sinto parte da história do Macondo, porque acompanhei, mesmo que não tão assiduamente, a sua trajetória. E acredito que aos poucos o Macondo está conseguindo concretizar suas propostas de ser "mais que um bar." O local já foi espaço para várias exposições artísticas, performances teatrais e musicais, abriga e apóia o Mercado das Pulgas, e agora tem até uma sala específica para intervenções culturais diversas, a Sala Dobradiça. Semana passada abriu suas portas na quarta-feira para a festa do Território Independente. São atividades que tem envolvido grupos e não somente as pessoas que trabalham diretamente no bar.
O Macondo se abre. E se descentraliza, promovendo o Macondo Circus, festival que reúne bandas de diferentes estilos e promove debates sobre o mercado musical, aliando música e conversação num ambiente de ar puro. Tem também a participação do Casas Associadas e a promoção de encontros para falar sobre bandas independentes.
O Macondo tem trazido bandas bem interessantes, inclusive de outros Estados. Mas suas festas consagradas também são muito populares: Clube da Criança Junkie, Fetich Fest, Samba Esquema Novo, Bubblegum, Femme Fatale, Studio 54. Eu sou fã das últimas três porque são festas dançantes.
Outra coisa muito legal no Macondo são as pessoas. Desde os donos do empreendimento até os estranhos. O bar tem um público bem diverso. De estudantes secundaristas a quarentões, cinquentões. Homo, Hetero, bi. Emos, bichos-grilo, metaleiros, patricinhas e mauricinhos; todo mundo '"convivendo"; todo mundo querendo a mesma coisa: se divertir num lugar legal e ver outras pessoas.

Mas é óbvio que o Macondo tem deficiências. E comemorar aniversário também é fazer planos para melhorar.
- o site é ruim, desorganizado, não-funcional. Quase nada funciona bem. As notícias não são notícias, não existe release, só a imagem do cartaz do evento; não se atualiza mais as exposições artísticas e não há mais postagens de fotos da festa. A home é ruim, confusa. O que gosto do site é a logomarca antiga e as cores. Aliás, não gostei da nova logo (foto). É infantil, mal feita e não diz nada. A logo anterior era boa, bem resolvida, verdadeira. Poderiam ter mudado, mas mantendo a estrutura da antiga. Mas, tudo bem, tem quem tenha gostado.
-também não há um sistema eficiente para divulgar as festas através de email.
Acho que mesmo com um público "garantido", o Macondo não pode descuidar de divulgar suas festas e registrar os eventos, ou seja, midiatizar-se.
-a iluminação também poderia ser mais incrementada, assim como a decoração.
-as bandas não precisam começar a tocar as 2h da manhã só porque é sexta ou sábado.
-algumas festas estão ficando com o repertório semelhante ou muito repetitivo.
-a volta de uma televisão num cantinho do bar , quem sabe na parte de baixo, é algo a ser pensado. No antigo, na Floriano, tinha.
-poderiam vender Polar, hehe. E servir petiscos.

Bei!!! Me estendi demais.
Parabéns Macondo!
E beijo para minha amigona, Manuela, parceira de Macondo, que agora está morando em Rosário do Sul.
(Este texto é dedicado ao Tv Eye).

10 comentários:

  1. não dedique a mim, não.

    na verdade, neste teu texto de fã, tu só "arrodiou, arrodiou e arrodiou" e não chegou a botar o dedo na ferida... a tal "ferida" que é tudo!
    supostamente, tu deves achar que sim, que colocou o dedo na ferida de um modo objetivo/direto/imparcial/jornalístico até. mas na verdade, é texto pessoal de fã... tipo aqueles da renusKa. por isso não discuto. gosto é gosto. se tem ou não se tem.

    tuas considerações sobre as supostas "deficiências" são, quando muito, bem comedidas, bem pesadas, bem discretas.

    mas enfim, este texto, na verdade, é dedicado a ti mesma. a ti, a manu, e a todas as pessoas que curtem o bar e que apoiam todas as iniciativas culturais do mesmo como, por exemplo, a "sala dobradiça" e o "macondo circus". na boa, não desconsidero isso. assim como acho que eu não tenho que achar nada sobre isso uma vez que não sou mais fã do ambiente citado.

    tu, como boa macondiana que és, até quando "solicita" uma cerveja de verdade faz de um modo... "vitimado"... como se tu devesse um favor aos macondianos. esquece que tu és cliente e que deveria ser obrigação do bar prover as tuas demandas (isso, claro, se esta fosse a proposta do bar, né?!). mas, como tu mesma já disse diversas vezes: cada um vai onde gosta! cada um enfia o dedo no buraco que gosta! cada um acata aquilo que gosta ou suporta!... eu sou apenas um que, em santa maria, não tenho mais par. extraviei-me. para mim, todas as propostas que pairam por aqui, santa maria, não são propostas... são "auto-ilusões", mas enfim... eu mesmo já fui várias vezes a este macondo lugar. hoje, não curto mais. mas eu sou apenas um de dois ou três que não curtem mais o bar, ou pelo menos, não curtem esta determinada configuração do bar... claro que esta configuração não é estanque: tudo muda, as pessoas mudam, para melhor ou para pior... e é essa possibilidade de mudança que ainda faz com possamos manter o nariz acima da merda que parece, dia após dia, subir um centímetro a mais. quantas vezes me surpreendi, dentro do macondo, feliz a valer?!... ok, forcei a barra... não foram muitas. mas houveram.

    este bar que é um bar de amigos e tal. será que trocentas mil pessoas que frequentam este bar estariam erradas?! será que apenas eu consigo perceber coisas que essas trocentas mil pessoas não conseguem?! será que estas trocentas mil pessoas que frequentam este bar só o frequentam pois não existe outra opção?!... não. não creio. até mesmo por que sempre há opção. há a opção, por exemplo, de restar por casa... há quem aguente esta opção, assim como há quem não suporte a idéia de passar um final de semana sem se meter em qualquer lugar com pessoas, lusco-fuscos, cervejas e afins.

    hoje, também, tenho a idade de cristo quando morreu. somado a esse fato, tenho junto a mim uma mulher e um filho os quais amo. então, acho que não integro mais o perfil básico do público-alvo deste bar... que é, ao meu ver, possuidor também de uma proposta estilo "single-bar", meio "caça&pesca", a la "pague para entrar-reze para sair" ou "não me lembre o que fiz ontem, pô!"... coisas da vida. hoje, estou mais do que azedo para tudo isso. hoje, me encanta enfiar uma meia de meu filho em uma das minhas orelhas e ficar babando a cria horas a fio... andar de mão com ele e minha amada, sob o sol, talvez no mato, enfim... coisas de velho, coisas de pai, coisas de azedo, né?!...

    mais saiba que quase todos os meus amigos - e quando digo isso me refiro aos meus b-o-n-s amigos - frequentam o macondo lugar (ainda é esse o nome ou é apenas macondo?!). até o meu irmão, que tem 23 anos, frequenta o macondo. e posso assegurar que ele curte a fudê o ambiente. jornalistas renomados da cidade, chefs de cozinha internacional, autoridades políticas e policiais - sim, policiais! - e um incandescente espectro de artistas, das mais variadas artes, ululam por lá.

    que dizer da briga comprada pelo macondo no caso secular ênioXcesna?!... poucas, ou nenhuma, casas noturnas teriam coragem de se "apropriar" deste debate espinhoso.

    por isso, sil, eu te entendo. e, meus comentários sobre uma festa X no macondo ser ou não "boring" é o de menos... assim como ter ou não ter polar, alice, é o de menos. com certeza é alguma coisa comigo...

    acontece que eu sou gauche.
    acontece que eu sou claustrofóbico.
    acontece que eu tenho um paladar sensível.
    acontece que eu sou chato, aborrecido.
    acontece que eu nunca li a porra do gabriel garcia marquez e, talvez por isso, não entendi a piada.
    acontece que eu me acho.
    me acho meio dândi.
    me acho meio aristocrático.
    me acho exatamente no ponto em que se torna cada vez mais difícil me perder de mim mesmo...
    abstrair-me...
    ausentar-me...
    eu me acho.
    sou meio fresco, sob uma certa luz, que não é a luz deste bar.
    acontece que eu parei de cheirar e, hoje, se bebo até cair pelo menos que seja com drinks palatáveis.
    acontece que eu não suporto mais la nuova gioventú, com seus emos serializados e afins.
    acontece que eu tenho ouvidos sensíveis.
    e sou chato pra caramba, pois o mundo nunca me deu arrego e as críticas, quando vieram, sempre foram rasas a meu respeito.
    acontece que eu quero mais.
    ou outra coisa.
    acontece que tenho saudade do Cristal com o Seu José - um anarco-franquista - dentro dele.
    acontece que um dia eu tive um sonho, e isso ferrou tudo.
    acontece que eu gosto de um outro tipo de música tocada em um outro tipo de volume.
    acontece que eu gosto de um certo tipo de beleza&elegância. principalmente de espirito.
    acontece que eu sempre quero mais.
    e acontece que eu não suporto mais festinhas, assim como tu, que começam às duas da manhã.
    acontece que por muito tempo eu perdi os meus finais de semana: acordava de ressaca depois do meio-dia.
    acontece que sou um cara recalcado e não consigo esquecer o que os macondianos já me fizeram. ou deixaram de fazer. e tudo foi crescendo, crescendo, se desenvolvendo...
    mas um dia a paga vem.
    de um lado ou de outro, ok.
    acontece que eu descobri vida em marte, uns dois ou três botecos para além do centro, e alguns rouxinois cantantes.
    acontece que eu gosto de karaokê... que se há de fazer?!
    acontece que eu me espiritualizei.
    acontece que sou melancólico, olho pra trás esperando por festas que não mais acontecerão.
    algumas pessoas se evadiram.
    acontece que, por vontade própria, dei um passo além de minha condição anterior.
    é preciso saber declinar com elegância quando não se pode mais peter pan.
    "lost boys" apenas nas estórinhas que conto para meu filho.
    acontece que tenho encontros com diversas mulheres na mesma mulher.
    acontece que o dia deu em chuvoso e hoje, ou me encharco, ou quero ficar quentinho e quietinho dentro de minha casa. esperando por outras coisas. melhores ou não. mas outras coisas.
    acontece, garota, que eu encostei o meu delicado ombro à roda.


    beijo,
    me liga.

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  2. Uau!!!Amei teu texto, de verdade. Muito obrigada pelo comentário!! Quando te dediquei o texto, te fiz uma brincadeira, pequena provocação, dessas que tu também gostava de fazer comigo.Acho que tens razão. Talvez o texto seja dedicado a mim mesma.

    Me identifiquei com várias coisas que tu disse. Eu mesma não frequento o Macondo toda semana porque também comecei a apreciar outras coisas da vida.Talvez eu não tenha curtido tanto a vida e as festas como tu. Pelas circunstâncias da vida, talvez eu esteja me divertindo em festas mais agora do que antes. Talvez eu goste do Macondo porque vou uma vez por mês, duas lá no máximo.Não aguentaria ir toda semana até porque gosto de frequentar outros bares tb.
    Se não toquei o dedo na ferida? Não sei. Acho que não sei de que ferida tu fala.
    Teu comentário é poético. Gostei muito, assim como gosto de ti. E viva as diferenças!!!
    Grande beijo

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  3. Manuela Vasconcellos20 de março de 2009 07:29

    Sabe que também acompanhei a evolução do Macondo? Eu estava no primeiro ano de faculdade quando fui apresentada ao bar, ainda na Floriano Peixoto e com festas em que havia espaço para dançar (Sil, nunca te vi por lá... hehe). Fiquei com meu namorado pela primeira vez ali mesmo, em uma das noites do Clube da Criança Junkie. Depois, confesso que passei algum tempo sem frequentar, até que retornei e fui parar na Valandro, bem mais perto da minha casa e com mais lugar para danças (Oba!). Mas as reivindicações da Sil certamente também são as minhas, afinal, acho que nunca mais fui no Macondo sem ela (senão, não tem graça). Uma Polar bem geladinha seria uma boa sim, e a iluminação poderia ser melhor (ainda mais quando o copo está cheio...). Agora eu moro em outra cidade e, apesar de tudo, sinto muita falta de gritar que quero dançar Madonna e dentro de minutos ser atendida e correr para o palco porque é melhor lá. Ou então beber todas antes de uma banda começar a (finalmente) tocar... Ah, e sinto saudades da Siiiil! ;)

    Manu

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  4. Bom, acho que no momento em que acabei o meu texto, postaram outro também. Tenho vááários comentários sobre ele, o que farei mais tarde, ok?
    Ah, lembrando que é a primeira vez em que escrevo para um blog!:O (acho que sou a única da face da Terra)... mas comentarei em breve.

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  5. Belos textos.

    Dá pra responder algumas questões que a Sil levantou. Mas sobre a fala do TV Eye, só dá pra concordar com ele sobre cada um ter seu gosto, assim como acontece com nossas cavidades cloacais. Envelheceu, azedou, e prefere outras coisas na vida; não é um texto sobre o Macondo e seus donos malvados, enfim. É um poema autobiográfico. Talvez digno de resenha no caderno MIX. E filhos devem mudar mesmo a vida da gente - só não mudou foi a do Iggy Pop.

    Sil: em primeiro lugar, valeu pela força e pela presença esporádica no Macondo. Até por não ser frequentadora assídua, acho que tu tem uma lucidez legal quando dá uma "panorâmica" na casa verde.

    Sobre algumas coisas que te incomodam, dá pra dizer o seguinte:

    - a logo mudou, e esta mudança vem causando impressões distintas, como era de se esperar. A antiga, concebida pela Alessandra Giovanella, faz parte da nossa história, e pontuou cada ação do Macondo nestes 4 anos de vida. Mas queríamos, para comemorar o quarto aniversário, fazer algumas pequenas alterações. E a reformulação da marca era uma delas. Por vários motivos; mas nenhum que deprecie, é óbvio, a arte da logo antiga. É só que não há uma necessária fidelidade com os signos originais: mudar é bom, desejável. Utilizar linguagens diversas, beber em fontes outras. E, sim, fazer da marca algo menos abstrato, mais comunicativo. Para além dos códigos estabelecidos entre frequentadores assíduos, para outros também. Porque comunicar só entre os convivas de uma confraria, na boa, não é a intenção. Mas como era de se esperar, por habitarmos um círculo social simpático e reduzido, a alteração na logotipia causou algumas reações afetivas/afetadas. Beleza. Tudo anda.

    - sobre o site: há uma nova página em construção, que vai justamente tentar sanar os problemas do site antigo (que, aliás, nem está mais endo abastecido). Acontece que o modelo de site utilizado ficou rançoso, feio, arrastado em termos operacionais. Com o novo, a ideia é retomar a dinâmica das notícias, caprichar um pouco no visual, aliar outras mídias a ele. Tomara que dê certo. Acho que é para fim de abril esta novidade.

    - sobre midiatização do Macondo, com exceção do site, creio que as coisas vão por um bom caminho. Se vc não recebe a prog semanal, é porque seu mail não está cadastrado. Mais de 3 mil pessoas recebem a agenda toda quarta-feira. Sem falar, é claro, em comunidades no Orkut, cartazes em frente ao bar e agenda no Diário SM.

    - quanto à cerveja Polar e afins: Sil, nós temos um acordo comercial com a CVI, empresa que representa a famigerada Coca-Cola na região. É um acordo que garante vantagens para o Macondo, em termos finaceiros e assistenciais. Por conta disto, estamos impedidos de comercializar bebidas de outras marcas, saca? Coisas do business, enfim.

    - a iluminação do bar é um ponto nevrálgico. Quando havia mais luz, as reclamações abundavam. Agora que há menos e mais focada, algumas pessoas reclamam do breu. Por via das dúvidas, vamos tentando chegar num denominador comum. Mas pode demorar.

    No mais, espero que tu continue frequentando o Macondo, apesar de alguns desgostos que possam eventualmente te acometer. E valeu pela matéria nos idos de 2005 no jornal A Razão, não esquecemos daquilo.

    Beijo,
    Atílio Alencar

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  6. Só quero comentar sobre a cerveja polar!
    Esses dias fui no macondo e no freezer do bar de cima tinha algumas garrafas de POLAR! EU VI, NÃO ESTAVA BEBADO nem com ESTADO DE CONSCIÊNCIA ALTERADO!

    Administradores do macondo, EXPLIQUEM ISSO!!

    Valeu, belo texto! VIDA LONGA A CASA VERDE!!

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  7. Atílio...
    Entendi e compreendo tuas explicações. Que bom que o site vai sair, mesmo assim, o que site que ainda existe é o que conhecemos e acho que não deveria ser largado. Quanto à iluminação, continuo afirmando que poderia ser melhor, sim, contemplando todos os gostos. E sobre a cerveja, desculpe, mas contratos podem ser rompidos. É uma questão de opção.

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  8. eu vou no macondo e fico bebado. e tem polar sim. mas tem q pedir na elegancia. não vou escrever muito porque cansei lendo o papo de vcs. acho q essa conversa seria menos chata se fosse num bar. pode ate ser no macondo ahahaha
    blog é chato pra caralho!!!

    eduardo ramos

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  9. primeiro, mano et disse tudo.
    segundo, mano seco, diga-me o que quiser mas não fale do Iggy Pop - tanto para o bem, quanto para o mal.

    valew.

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